A vida de Carmélia Maria de Souza

29/11/2022

    Carmélia Maria de Souza (1936-1974), mais conhecida como "A Cronista do povo" teve apenas uma obra publicada o livro "Vento Sul", pela Universidade federal do Espírito Santo (UFES) e pela gráfica Espírito Santo em 2002, tendo em seu conteúdo a contextualização do mundo pós-guerra entre os anos de 50 e 60, fazendo com que a escritora fosse inserida dentro dos grandes movimentos da cultura ocidental com seus valores, sua escrita e suas revoluções fracassadas. 

    Apesar de ter vivido pouco - faleceu ainda em meados dos seus 38 anos - Carmélia ficou conhecida como símbolo da luta contra as mazelas da sociedade, uma vez que foi uma mulher negra, pobre, autodidata e lésbica, que escrevia sobre as injustiças sociais e tudo que envolvia a sociedade capixaba. A escritora viveu uma vida boêmia, regada de sentimentos sofridos, saudada de conversas em mesas de bares e muito consumo de bebidas alcoólicas. Carmélia se tornou cronista em um momento onde os jornais eram uma das maiores referências da sociedade de uma cidade preconceituosa e saciada de pessoas mesquinhas e supérfluas, tendo vivido em uma zona rural, o município de Rio Novo do Sul, interior do Espírito Santo, onde as pessoas eram ainda mais perversas. Entretanto, esse fato não foi suficiente para impedir a escritora de se posicionar contra os distúrbios socioculturais e fez isso por meio de sua escrita. 

    Nunca houve mulher como Carmélia - A maior cronista capixaba das décadas de 50 e 60. Nas crônicas, carregadas de um lirismo que bate em cheio na veia, falou como ninguém a respeito do amor, solidão, abandono, fossa, esperança e amizade. Contudo, a cronista era dona de uma personalidade um pouco diferente da qual era mostrada em sua escrita, tímida, irreverente, simples, complicada, sentimental, gozadora, bruxa, carinhosa e violenta. "De certa forma, sempre tive orgulho de mim - destes meus 84 quilos de sinceridade, de erros, de sonhos e de poesia", disse. Em oposição a sua personalidade, Carmélia possuía uma aparência mais "bruta", gostava de se vestir com calças masculinas, bebia e fumava, além de falar uma quantidade abundante de palavrões.

    Carmélia amava as rosas, as estrelas, os passarinhos, o vento, a Rua Duque de Caxias, o pôr-do-sol e as madrugadas que a levava com os amigos para jantar no Mar e Terra. Gostava de escrever em casa, isolada e descalça. Não tinha paciência com gente chata e burra. Um pouco triste e atormentada, de vez em quando entrava numa "fossa desgraçada". E sobre isso, revelou: "Há momentos em que sou obrigada a colar a cabeça no travesseiro e alguma vez, de noite também, chorar baixinho". 

    Após sua morte, Carmélia foi homenageada pela cidade de Vitória, que deu seu nome a um Centro Cultural, o famoso Teatro Carmélia. Atualmente, no Carmélia funciona a TV Educativa e foi sede em 2022 do festival Movimento Cidade, que contou com shows como dos rappers Emicida e Cesar Mc, batalhas de rap, exposições de arte, etc. No entanto, o local está praticamente em ruínas, abandonado por vários anos, até passou por obras reparadoras para o evento, mas não foi  suficiente para restaurar o prédio por completo, o que apenas enfatiza o descaso público com a cultura capixaba e as memórias de Carmélia Maria de Souza. 







     Pirajá, Fábio - Carméla Maria de Souza. Facebook, 2017. Disponível em <https://www.facebook.com/photo/?        fbid=10219301777029497&set=oa.1588868514475470> Acesso em 21 jan 2023                                                                                                                                                                                                                                     Em rede, Debates - Crônicas e contos. Carmélia, a cronista do povo, Debates em rede, 2020. Disponível em <https://www.debatesemrede.com.br/materia/3277/carmelia-a-cronista-do-povo> Acesso em 21 jan 2023

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